X

Notícias

Governo venezuelano enfrenta protestos populares pelo 3º dia

Geral, Internacional, Notícias
-
24/01/2019 08:34

Segundo ONG, 13 pessoas morreram desde o início das manifestações. Líder da oposição, Juan Guaidó, se declarou 'presidente interino', e governo de Maduro está diante de impasse

Protesto contra Maduro em Caracas, na quarta-feira (23) — Foto: Manaure Quintero/Reuters
Legenda da foto

A Venezuela enfrentou novos protestos na madrugada desta quinta-feira (24), no 3º dia consecutivo de manifestações contra o governo de Nicolás Maduro. Na quarta-feira (23), o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, declarou-se presidente interino.

A sua iniciativa foi reconhecida por Brasil, EUA e mais 11 países. Maduro rejeita sair do poder e diz que Estados Unidos lideram complô contra seu governo.

De acordo com a agência de notícias EFE, os protestos desta quinta voltaram a se concentrar em bairros populares de Caracas, antes considerados bastiões do chavismo, que governa o país desde 1999.

A ONG Provea, de Direitos Humanos, informou que por volta de 1h (3h de Brasília), foram registradas 15 manifestações na zona Oeste e no Centro da capital venezuelana. Forças de segurança tentaram dispersar manifestantes com o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Desde o início das manifestações, pelo menos 13 pessoas morreram no país, segundo a ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS). De acordo com o órgão, as vítimas foram atingidas por disparos e foram atacadas por agentes da polícia ou por grupos paramilitares.

Os protestos no centro de Caracas, sede dos poderes públicos da Venezuela, intensificaram-se na segunda-feira (21), quando membros da Guarda Nacional Bolivariana se rebelaram e pediram para que as pessoas fossem às ruas para protestar contra Maduro. Eles foram presos um pouco depois.

Catorze países reconhecem Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela

No mesmo dia, ocorreram dezenas de manifestações que reivindicavam o fim da crise. Desde então, mais de 50 protestos ocorreram apenas em Caracas, e um número indeterminado no restante do país.

O número dois do chavismo e chefe da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), Diosdado Cabello, disse que os grupos que se manifestam são “pagos” e geram violência.

Presidente interino

Na quarta-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e líder da oposição, Juan Guaidó, declarou-se presidente interino do país e foi reconhecido pelos governos do Brasil e dos EUA, entre outros. Guaidó falou a uma multidão de manifestantes que saíram às ruas para protestar contra o governo Maduro. O país também registrou atos pró governo.

“Juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente interino da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação, um governo de transição e ter eleições livres” – Juan Guaidó

Reação de Maduro

Horas depois, Nicolás Maduro rejeitou a declaração do líder da oposição e acusou os Estados Unidos de dirigirem uma operação para impor um golpe de Estado. O chavista rompeu relações com o governo norte-americano e expulsou diplomatas do país.

“Aqui não se rende ninguém, aqui não foge ninguém. Aqui vamos à carga. Aqui vamos ao combate. E aqui vamos à vitória da paz, da vida, da democracia”, disse ainda.

As autoridades norte-americanas, no entanto, não reconheceram a declaração de Maduro. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que não acredita que o governo chavista “tenha autoridade legal para quebrar relações” com os Estados Unidos.

Juan Guaidó chegou a enviar um pedido às embaixadas para que funcionários não deixassem o país e afirmou que manterá relações diplomáticas com todos os países.

G1